Uma gripe pode ser o gatilho de um infarto. A partir desse alerta, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lançaram o primeiro Calendário de Imunização do Adulto Cardiopata. O documento foi apresentado no 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia em conjunto ao Congresso Mundial de Cardiologia realizado no Rio de Janeiro. O calendário coloca a vacinação como o quarto pilar da prevenção cardiovascular, ao lado do tratamento da hipertensão, do colesterol e do diabetes.
Para quem já tem placas de gordura nas artérias ou insuficiência cardíaca, as infecções inflamam os vasos e favorecem a formação de coágulos, o que pode romper placas e descompensar o coração.
“É muito comum, depois de uma covid, de uma gripe ou de uma internação por pneumonia, o indivíduo sair parecendo bem e, cinco, seis dias depois, infartar ou ter um derrame”, diz o cardiologista Fábio Argenta, diretor médico da rede Saúde Livre Vacinas, que participou da elaboração do calendário.
Vacinas protegem o coração
O calendário reúne seis imunizantes: influenza, covid-19, pneumocócica, dTpa/dT (difteria, tétano e coqueluche), herpes-zóster e vírus sincicial respiratório (VSR). Segundo Argenta, todas as vacinas são importantes, mas o vírus da influenza é o que possui mais evidências de possíveis complicações para portadores de doença cardíaca. Para quem tem mais de 60 anos, a recomendação é a versão de alta concentração, aplicada todo ano.
O médico chama atenção para o herpes-zóster, o popular cobreiro, que aumenta o risco de infarto e principalmente de AVC nos três meses seguintes ao quadro. A vacina é indicada a partir dos 50 anos, em duas doses, mesmo para quem já teve a doença. A do VSR, em dose única, é voltada sobretudo a quem tem insuficiência cardíaca ou doença coronariana.
A vacina da Covid é oferecida gratuitamente pelo SUS. As vacinas contra herpes-zóster e VSR só estão disponíveis na rede privada. Já as de gripe e pneumonia estão nas duas redes. O médico salienta que não há contraindicação para essas vacinas em cardiopatas: “Ao contrário, a indicação é total”, afirma.
Guarda baixa e fake news afetam vacinação
Um dos principais problemas para aumentar a abrangência da cobertura vacinal é a queda da atenção à outras vacinas depois da pandemia do coronavírus.
Depois da pandemia, a atenção se concentrou na covid e a população baixou a guarda em relação às outras vacinas, o que ajuda a explicar a volta de doenças como sarampo e coqueluche” – Fábio Argenta, cardiologista
A politização do tema também preocupa a comunidade científica. A disseminação de informações falsas sobre a eficácia dos imunizantes afeta diretamente os índices de vacinação. Um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) apontou que 57% das pessoas que optaram por não se vacinar relataram pelo menos um motivo ligado à desinformação.
O calendário funciona como pré-lançamento do Posicionamento de Imunização da SBC, previsto para o fim deste ano. O documento deve reunir as evidências sobre eficácia e segurança das vacinas em cardiopatas e tratar da hesitação vacinal e do papel do médico em recomendar a imunização.
Fonte: Viva

